Fábulas Poesia

A CIGARRA E A FORMIGA

(a fábula revisitada)

No tronco de uma palmeira,
Uma Cigarra faceira
Canta, canta sem parar…
Canta o sol, a chuva, o vento,
Canta o esplendor do momento,
Pelo prazer de cantar.

Quase morta de fadiga,
A diligente Formiga,
Trabalha, sofre e assunta
O ziziar da Cigarra,
Não se contém e pergunta:
– Por que cantas no verão?

– Essa é minha profissão.
– Nada mais sabes fazer?
– Canto é trabalho e lazer.
– O que farás no inverno?
– Guardo a guitarra e hiberno.
– E quem te dará sustento?
– Do meu canto me alimento.
– Não temes por teu futuro?
– Viver é um salto no escuro.

Sem mais tempo pra conversa,
A Formiga, toda pressa,
Volta a mergulhar na lida.
E outra vez a Cigarra
Empunha sua guitarra
E canta em louvor à vida.
Moral:
A moral dessa historinha?
Faça a sua; eu faço a minha.