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A voz e a vez do poeta

 

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Sou da terra
dos tambores que falam.
E guardo no corpo a memória
que acorda o silêncio.
Eu vi a lua descer
para assistir minha mãe
dançar.
Passei a infância
correndo atrás do sol,
pés descalços pelos matagais
por entre cascavéis e beija-flores
cedo aprendi o milagre
das sementes: minha mãe
abria a terra
e eu semeava os milharais
os campos de arroz e as colheitas.
Sou um negro
orgulhosamente bem-nascido
à sombra dos palmares.
Eu tenho os olhos na espreita
e os bolsos cheios de pedras,
eu sou quem não se conforma
com a sentença ou desfeita,
eu sou quem bagunça a norma,
eu sou quem morre e não deita.

Salgado Maranhão

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