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Ano 1978

Segundo E.B.White (escritor norte-americano) “um escritor que espera pelas condições ideais para trabalhar vai morrer sem botar sequer uma palavra no papel”, nesse caso no papel digital, mesmo assim no papel. Por isso, é que peço licença para compartilhar com vocês meus versos sem poesia, pois mesmo que a  minha condição ideal seja  a falta de talento não quero ir sem deixar nada escrito por aqui, sem imortalizar minha passagem pela Terra. Ainda que para isso tenha que mostrar meus sentimentos. Perdoem a minha pieguice, a minha falta de jeito, mas isso é o melhor que uma alma comum, simples, feita do barro mais duro da vida pode mostrar.

Português do Brasil: flor de maracujá

Fim de tarde

O caçula carregado

Os braços do meu pai

Derramam lágrimas

Ele morrera afogado

Nas águas do riacho

todos  morreram afogados

Nas lágrimas salgadas

Desespero, gritos, desmaios

E silêncio de morte

Casa cheia, chás, leite

Palavras não ouvidas

Fim de tarde: sétimo dia

Velas, flores e dores

Meses depois

Fim de tarde

Mudança de casa

Adeus sonhos infantis

Limões e guabirabas

Adeus inocência querida

Anos depois

Fim de tarde

Mudança de cidade

Saudades.

Carmem Sueli

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