GUARDIÃ DO DIVINO

Detalhe - Divino de Chita # 1

Uma vez por ano, dona Marlene Silva levanta mais cedo do que o costume. Com o céu ainda escuro, engole um café meio aguado. Veste sua melhor roupa, amarra um lenço na cabeça, pendura alguns colares no pescoço e sai com a caixa, um pequeno tambor feito de madeira e couro, nas mãos. Segue em direção à praça da matriz, onde se encontra com outras caixeiras.

Ao lado do mastro, erguido no dia anterior por quase 100 homens, entoam ladainhas e batem as caixas saudando o Divino Espírito Santo. Desde o início do século 19, na comemoração de Pentecostes, a cidade de Alcântara, no Maranhão, amanhece com a alvorada das caixeiras, ao som dos tambores. O culto ao Divino Espírito Santo é um ritual do catolicismo popular comemorado em diversas regiões do país, sempre 50 dias após a Páscoa. As caixeiras acompanham toda a celebração, são as guardiãs do Divino. “Bato caixa desde os dez anos. Está no querer do Divino, foi ele quem me escolheu”, diz dona Marlene.

Dona Malá, ou simplesmente “colega”, como é conhecida, traz na alma a responsabilidade de todo brincante popular: manter viva a tradição da festa. “Antigamente tinha muita caixeira, hoje já não tem. Eu quero ensinar a essas meninas todas bater caixa, porque sem batuque não tem festa, ela acaba.”

Fonte: Revista Raiz

Enhanced by Zemanta