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O REENCONTRO

O sol ainda deitava seus raios alaranjados sobre o mar agitado. Os dias tinham sido longos e cheios de expectativas. As lembranças e as saudades, assim no plural pois eram muitas , eram a companhia e o alimento de novos sonhos.

A viagem fora longa. O reencontro após mais de 30 anos estava próximo. Seu coração pulsava agitado, seu sorriso nervoso deixava claro que o reencontro tão esperado mexia demais com ela. Era como se sua alma andasse sozinha e fora do corpo. O que lhe diria quando estivessem frente a frente? Tantas saudades!

No chalé ela aguardava a chegada daquele que sempre fora o sonho preferido de sua vida. Seu primeiro amigo ,seu companheiro de brincadeiras e descobertas, seu único e grande amor.

As guabirabas no saquinho ainda tinham cheiro e gosto ,os banhos de chuva ainda molhavam seu corpo jovem e os sorrisos,ah, os sorrisos ainda ecoavam em sua mente.!

Como poderiam ter se perdido? Como tanto amor não fora suficiente para mantê-los juntos? Como a vida fora tão implacável?

As horas eram longas . As amigas , companheiras dessa nova chance , se afastaram suavemente e o mar, testemunha dessa magia , para não quebrar o encanto, silenciou suas ondas.

Nenhuma mensagem no celular. Ele viria? E se não viesse , de que ela viveria a partir dali?

Ela ouve passos , vira-se para a janela , deixa cair o telefone . Parado, ele sorri ao contemplá-la , mas não consegue andar.

–Minha Júlia Robert!

Ela correu até ele , como outrora deveria ter feito e o abraçou carinhosamente. Suas mãos ,trêmulas e frias , buscaram as dela e juntos, em silêncio , deram os primeiros passos desse novo amor.

Lado a lado ,sentados na cama só se olhavam e sorriam.O tempo deixara marcas , mas o cheiro , o abraço ainda eram os mesmos , nada mudara. O sentimento guardado e tantas vezes pelo orgulho , pelas imposições familiares e pela vida negligenciado explodia como fogos de artifício na virada do ano.

O mar calado observava , ouvia as conversas que pouco a pouco explicavam os acontecimentos e saravam feridas.

Já na madrugada, o primeiro beijo. Ainda igual aquele outro de outro tempo.

–Amor da minha vida!

Aqueles foram dias inesquecíveis em que todos os pedaços ao longo do tempo quebrados se colaram e todo medo foi curado por abraços e promessas de amor eterno.

–Amor da minha vida!

–Minha Bela, minha doce Bela! És uma tatuagem no meu coração!

Aquilo tudo era mágico e o universo conspirava para a felicidade. Mas a despedida, tão característica deles dois ,não tardaria a chegar.

As mãos tremiam , a voz era incapaz de traduzir o menor dos sentimentos daqueles instantes finais. Só o olhar falava daquilo que a alma lutava para aguentar. Os carros tomaram rumos diferentes. Um último olhar e muitas lágrimas silenciosas.

–Amor da minha vida!

Carmem Sueli

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