Poesia

Quero pintar de verde o meu sertão

O Sertão é semi-árido (quase seco), mas o Sert...

I

Alto Santo é minha terra

Fica no sertão, precisamente

Onde toda tardezinha

Fico olhando o sol poente

Esse sol que sem a chuva

Deixa o meu sertão tão quente.

II

A seca que aqui vivemos

Deixa tudo acinzentado

Na estrada carros-pipas

Passam por todo lado

O jumento leva água

Subindo o morro cansado.

III

Quando o sertão não tem água

Precisamos nos mudar

E a cor roxa da saudade

Vai nos acompanhar

E o preto da tristeza

No coração vai ficar.

IV

O pincel que o senhor usa

Emprestado eu vou pedir

Com as gotinhas que dele

Certamente vão cair

Só assim eu poderei

O meu sertão colorir.

V

Quando as gotinhas caírem

E o verde se espalhar

O feijão, arroz e milho

Do chão vão poder brotar

E a fartura, porém

Vai mudar o meu lugar.

VI

Animais magros no pasto

As vaquinhas a cair

Quando eu pintar de verde

Isso não vai existir

E o aboio do vaqueiro

Vamos voltar a ouvir

VII

Nas noites de São João

Milho assado na fogueira

O beiju de mandioca

Cheirando na farinheira

Queijo e manteiga da terra

Sendo feitos na queijeira.

VIII

Assim com o pincel

Deixo verde o meu sertão

O cajueiro na caatinga

As aves de arribação

A umburana florida

O branco do algodão.

IX

O verde do xique-xique

Sozinho não vai ficar

Muitas flores vão se abrir

E no meu sertão cheirar

Sem o preto, o cinza, o roxo

Cores tristes do lugar.

X

Quando tudo colorir

E o verde predominar

Quero agradecer ao Senhor

Por poder me emprestar

O pincel que transformou

A vida do meu lugar.

Aluna: Ana Letícia Oliveira Dutra

Professora: Maria Gisélia Bezerra Gomes

Escola: E. M. E. F. Urcesina Moura Cantídio – Alto Santo (CE)

Enhanced by Zemanta