linguístico Poesia

Trajetória de uma estrela

maracujá

Ainda no ventre de sua mãe

Ela sentia a dureza da vida

Entranhando em seu corpo

Nasceu, e muito cedo

Reconheceu que não veio

Para os grandes acontecimentos

Para os grandes amores.

Jogada em águas desconhecidas

Não se furtou a remar

Embora nem sempre soubesse

Aonde ia, e mesmo cansada

Sempre ousava olhar as estrelas

E sonhar. Nada a impedia de sonhar

Sonhava que um dia tudo mudaria

Que vida não mais seria tão dura

E um grande amor a encontraria

A vida porém, sempre lhe foi Severina

E não lhe retribuiu a peleja diária

Sorriu para ela uma vez somente

Quando de braços abertos

Embaixo de um pé de maracujá

Embolado de flor da saudade

Recebeu seu corpo, duro de luta.

Carmem Sueli